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Publicada em 26 de Junho de 2011 ás 10:59:47
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Ministério Público da Bahia realiza evento para intensificar combate à carne clandestina

Com o título: "Importante componente alimentar, carne bovina precisa vencer o abate clandestino" o Ministério Público da Bahia realizou evento em Salvador para discutir a intensificação do combate ao abate clandestino de animais que se destinam ao fornecimento de carnes para o consumo humano, bem como o seu comercio ilegal em todo o estado da Bahia. O evento contou com a participação de representantes dos diversos seguimentos organizacionais (Estado, municípios, promotores de Justiça das áreas do Consumidor, Saúde e Meio Ambiente; agentes fiscalizadores; gestores federais, estaduais e municipais; e empresários da indústria frigorífica).

Leia na íntegra a notícia: Alimento essencial para o tratamento da anemia, a carne bovina pode tornar-se um problema de saúde pública quando proveniente do abate clandestino. Isso é o que afirmaram especialistas na manhã de hoje (17), durante o ‘1º Encontro Baiano sobre Abate e Comércio Ilegal de Carnes’, explicando que a prática ilegal é responsável por 45% da carne comercializada no estado da Bahia. A luta para combater o abate e o comércio ilegal do produto vem sendo travada pelo Ministério Público estadual há alguns anos, o que já gerou resultados positivos, mas o trabalho precisa aprofundar-se e o esforço da atuação deve ser conjunto, conclamou o procurador-geral de Justiça em exercício, José Gomes Brito, na abertura do evento que congregou, no Fiesta Convention Center, promotores de Justiça das áreas do Consumidor, Saúde e Meio Ambiente; agentes fiscalizadores; gestores federais, estaduais e municipais; e empresários da indústria frigorífica.
Segundo José Gomes Brito, o serviço de inteligência já revelou que uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos promotores de Justiça no combate à prática ilegal está concentrada na fiscalização, “mas eles não medem esforços e se sacrificam para exercer com eficiência as suas atividades”, relatou Brito, destacando que ficou preocupado com a questão que, aliás, o MP idealizou o encontro que é de “extrema relevância”. “O evento é muito importante pelos temas que traz ao debate e pela oportunidade de congregar tantos setores para discutirem um assunto de interesse de todos”, registrou ele, informando que o MP continuará fazendo a sua parte e buscando uma atuação integrada. Para o secretário da Agricultura, Eduardo Sales, “a fiscalização, que é imprescindível no combate ao abate clandestino, precisa ser feita com a Polícia Militar”. “A questão precisa ser trabalhada por meio de uma atividade de inteligência”, disse ele, salientando que, “só assim, teremos efeitos concretos”.
Responsável por um dos maiores rebanhos do país, a Bahia ainda precisa melhorar muito a sua atividade de abate e comercialização da carne. Conforme salientou a promotora de Justiça de Juazeiro, Andréa Ariadna Correia, “podemos ter um rebanho excepcional em termos de número, mas a qualidade não é das melhores. O consumidor diariamente está exposto a vários tipos de doenças que advêm do consumo inadequado dos produtos impróprios para o consumo humano”, alertou ela, informando que, desde o ano de 2003, mais de 100 toneladas de carne imprópria para o consumo foram apreendidas e incineradas no estado. Também nesse período, 99 matadouros clandestinos foram interditados, o que, para Andréa Ariadna, não significa dizer que a realidade atual é boa, pois ainda existe muito abate sendo feito clandestinamente e grande parte dos animais que são abatidos regularmente estão contaminados.

Na palestra ‘Atuação do Ministério Público: Cases de sucesso no combate à clandestinidade’, a promotora de Justiça informou que, neste mês de junho, operação de combate ao abate desencadeada pelo MP com o apoio de órgãos parceiros apreendeu cerca de 80 bois e prendeu três pessoas no município de Santo Estevão. Em fevereiro de 2010, cinco toneladas de carne irregular foram apreendidas em Valença, lembrou ela, destacando que, após trabalho de orientação e fiscalização, foi apreendida no município quantidade bem inferior: 800 kg. Em Juazeiro, também em uma única operação, foram apreendidas duas toneladas de carne de procedência clandestina, com mais de 15 pessoas presas. Para impulsionar a melhoria da atividade de abate e, por consequência, do consumo, o MP iniciou em 2004 um processo de educação sanitária, com palestras nas escolas, realização de audiências públicas nas comunidades, distribuição de cartilhas e produção de vídeos educativos; instaurou inquéritos civis, propôs ações civis públicas e assinou termos de ajustamento de conduta. Lembrando um case de sucesso, Andréa Ariadna registrou que, em Santo Antônio de Jesus, o abate clandestino sofreu uma redução de 70%.

Em Santo Antônio de Jesus, assim como em outros municípios baianos, a maioria da população já está consumindo carne de qualidade, o que pode é benéfico para a saúde. Segundo o cardiologista Carlos Daniel Magnoni, o consumo de carne bovina é fundamental para o combate a carências nutricionais específicas. A carne de boa procedência tem seus prós e contras, esclareceu ele, assinalando que existem nutrientes que só conseguimos obter na carne, mas ela é fator estimulante da doença cardiovascular. O que importa, porém, frisou o médico, é a qualidade e a quantidade do que se consome. O colesterol está na carne e a gordura saturada também, disse ele, afirmando que só o consumo exagerado poderá fazer desse alimento um vilão. Por isso, concluiu Magnoni, “o que precisa haver é uma educação nutricional”. Diante da plateia lotada e da mesa da abertura composta ainda pelos coordenadores dos centros de Apoio Operacional de Defesa do Consumidor (Ceacon), Roberto Gomes, e de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), Márcio Fahel; diretor da UPB, José Ricardo Requião; superintendente da Fieb, Emanuel Lacerda; e diretor-geral da Adab, Paulo Torres; o professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, médico veterinário Pedro Felício, frisou que “o Brasil é o futuro da humanidade no que diz respeito à proteína animal, mas é preciso organizar o setor”.

ASCOM/MP – Telefones: (71) 3103-6505/ 6502/ 6567 - Assessoria de Comunicação Social  20/06/2011 08:17:12 Redatora: Maiama Cardoso MTb/BA – 2335
Acessado através: http://www.mp.ba.gov.br/visualizar.asp?cont=3158, em 26.06.11
 
Em breve estaremos editando a opinião da ADAB e da Vigilância Sanitária do Estado sobre essa questão.


Delio Barbosa


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